Autonomia estratégica. Que conceito. Não, que conceito coisa nenhuma - que disparate, mas é. Não passa, visto bem, de um chavão tecnocrático, ou pior, porque de técnica não tem nada: não passa de um slogan produzido por essa treta da banha da cobra tão esguia quanto tóxica (e terrivelmente pós-moderna) a que chamamos "policy". Um slogan tão sonoro quanto vazio. Mas é com isto que teremos de lidar, quando o mês acabar, devido a, lá está, a vida. Ossos do ofício. De resto, calor, leituras terminadas e outras a começar. Aprendo nomes como pinguim-macaroni e grou-americano. Abro o Rui Manuel Amaral mas ainda estou em Paderbon, 2666. Vou levar o Amuleto para a Escandinávia. E quando voltar, vou escrever. Escrever, escrever e escrever, até não poder mais. Acordei, depois de uma curta noite de sono (ossos do ofício, não académico, mas "paternal") com a versão de "semi-hippie", um proto-clássico de Lê Almeida que os veenho imortalizaram para os lisboetas que resistem. "Vai entender / só vejo você / na parte mais louca do meu sonhar e amanhecer". Acabei de ler 2666 e sim, Roberto Bolaño é Jesus Cristo, ou algo pior, muito pior e maravilhoso. Vai entender.
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