Não te preocupes com o que eles disseram. Não te preocupes com o que eles fizeram (ié-é). Preocupa-te sim com o que te vou contar: a história não-oficial do Orfeão Juvenil da Universidade Laboral de Gijón. Emaranhei-me nesta trama graças a uma fotografia, descoberta no meio de uma edição antiga das obras completas de Garcia Llorca, datada de 1939. Isto a edição - a fotografia é já de 1960, e na realidade não é uma fotografia, mas sim um postal, composto por dias fotografias e uns votos de bom Natal. Na primeira fotografia (capa), três universitários de pullover, camisa e gravata olham gravemente para o horizonte, com uma torre por trás. Na segunda fotografia, contracapa, o dito orfeão juvenil aparece num palco, com um um maestro à frente. Tantas perguntas. Quem são os três jovens da capa? Qual a dia relação com o orfeão? Onde fica a torre? Quem recebeu o postal? E porquê naquele livro, naquela edição? Quantos segundos sem respirar são necessários para conseguir sair do quarto de um bébé que acabou de adormecer? Porque é que a maioria dos hóspedes saiu do hotel à quarta-feira? Qual a relação entre o cantar de gaivotas e o ganir dos cães? É a morte - ou a eminência de - que faz de “2666” uma obra-prima.
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